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Como são formados os desertos?

Como são formados os desertos?

Quando a palavra “deserto” é mencionada, a maioria das pessoas costuma visualizar mentalmente as dunas ondulantes do Saara, que por sua vez contam com enormes pilhas de areia movediça até onde os olhos podem ver. Isso é o que filmes, programas de televisão e a cultura popular costumam nos dizer sobre desertos, mas essas características estão longe de abranger a história toda.

Embora realmente haja uma quantidade incrível de areia nos desertos pelo mundo, o que promove uma espécie de “tapete dourado”, na maioria das áreas do deserto há muito pouca areia, o que pode levantar certas questões sobre o processo de formação dos desertos. Então, como surgiram os desertos? E o que há debaixo de toda a areia que cobre essas regiões?

O engenhoso processo de formação dos desertos

Em termos de definição formal, um deserto é tipicamente caracterizado por uma extrema falta de chuvas. No entanto, o que pouca gente sabe é que uma das principais causas por trás de uma área que recebe pouca chuva tem a ver com estar no “lado errado da montanha”. Por exemplo, considere um sistema climático soprando do oeste e esbarrando em uma cordilheira norte-sul. O ar úmido e quente que vai contra a base da montanha tende a subir e formar nuvens, mas à medida que o ar sobe, ele começa a esfriar, liberando sua umidade na forma de precipitação.

No entanto, em algumas regiões, quando o ar se move sobre o topo da cordilheira, ele fica praticamente desprovido de umidade, exceto por algumas nuvens que não produzem muita precipitação. Desse modo, esse lado específico da montanha acaba ficando na “sombra da chuva”, de modo que o ar desce e esquenta, mas não tem umidade suficiente, o que geralmente resulta em ventos quentes e secos que podem exacerbar a formação de um deserto ao longo de milhares ou milhões de anos.

Dito isto, também vale mencionar que alguns desertos do planeta não estão localizados perto de montanhas e, em vez disso, são o resultado de padrões climáticos únicos em escala regional. Por exemplo, os sistemas de alta pressão que ficam cheios de ar quente e pesado e em sistemas subtropicais ou semi-permanentes de alta pressão podem ser encontrados na região do Saara, onde o ar não consegue subir, esfriar, formar nuvens e gerar precipitação.

Além disso, se um sistema de alta pressão é forte e estável, torna muito difícil para os sistemas de baixa pressão entrar e gerar variabilidade nos padrões climáticos. Como resultado, você tem uma região que recebe muito pouca chuva e que é atingida por ventos secos, não se beneficiando com o movimento das frentes frias.

Outros tipos de desertos

Embora a maioria dos desertos seja caracterizada pelo calor escaldante, é importante destacar que também existem desertos frios, como o deserto de Gobi, todo o continente da Antártica ou o deserto costeiro do Peru e do norte do Chile, onde o ar é tão frio que não consegue reter umidade para gerar precipitação.

Embora a superfície do deserto antártico seja coberta por neve, cristais de gelo e ventos secos criam condições semelhantes aos desertos de areia, com tempestades de vento brancas substituindo as tempestades de areia clássicas dos desertos arenosos. Ao longo de milhões de anos, esses padrões climáticos e fatores topográficos resultaram em uma terra praticamente desprovida de qualquer cobertura vegetativa, pois geralmente há pouca água para sustentar a vida e a paisagem em constante mudança dificulta ainda mais a situação.

Esses desertos também são suscetíveis a constantes mudanças de temperatura, pois ganham e perdem calor com muita facilidade. Ao contrário do que se vê nas selvas e pradarias, a areia do deserto é incapaz de manter o calor de forma eficaz, portanto, embora possa estar extremamente quente durante o dia, o solo não retém esse calor durante a noite, resultando em variações drásticas de temperatura, o que se transforma em mais um obstáculo para a prosperidade de vida no local.

De onde vem a areia dos desertos?

Embora já tenhamos desmentido parcialmente a ideia de que os desertos são completamente cobertos de areia, uma questão ainda permanece: afinal de contas, de onde vem a areia dos desertos? Pois bem, conforme mencionado no parágrafo acima, as mudanças drásticas de temperatura entre o dia e a noite podem causar estresse nas rochas de uma região, o que pode resultar em rachaduras e erosão. Combine isso com os ventos secos que facilmente causam erosão, e você terá uma grande quantidade de areia ao longo de milênios.

Vale destacar que a areia se comporta como uma substância muito abrasiva, de modo que, com o vento arrastando a terra para várias direções, algumas formações rochosas e afloramentos muito incomuns podem ser moldados apenas pelo poder de rajadas de vento. De fato, as dunas são paisagens em constante mudança que são cultivadas e moldadas pelo vento em várias formações reconhecíveis, podendo apresentar diferentes formas em questão de anos.

O que há embaixo da areia dos desertos?

Agora que você já sabe de onde vem a areia e por que os desertos se formam, talvez já seja capaz de adivinhar o que há por baixo da areia. Na prática, o que há embaixo da areia dos desertos costuma se resumir a rochas e argilas naturalmente comuns em um ecossistema seco. Um deserto não é necessariamente plano, portanto, existem várias formações rochosas que podem ser facilmente encontradas embaixo da areia.

Vale destacar que o tipo, a cor e a dureza da rocha superficial depende das características geológicas da região. Há uma chance muito boa de que as áreas expostas de um deserto sejam as mesmas que são cobertas por areia, desde que geograficamente próximas. Além disso, à medida que os desertos “crescem”, isso não significa necessariamente que a areia está se espalhando, mas pode indicar que os ecossistemas nas margens do deserto estão cedendo de maneira semelhante à medida que os processos erosivos ocorrem.

Com isso em mente, podemos concluir que, embora os desertos pareçam lugares proibitivos e misteriosos, eles são o resultado de processos completamente naturais de erosão e padrões climáticos. Sendo assim, da próxima vez que assistir a um documentário sobre a natureza que mostra uma cena incrível de uma enorme quantidade de areia, lembre-se que a parte arenosa é apenas uma fração da aparência de todo o deserto.

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