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Por que a Grande Muralha da China foi construída?

Por que a Grande Muralha da China foi construída?

Não há nada mais icônico na história chinesa do que a Grande Muralha da China. De fato, essa construção é considerada uma das maravilhas do mundo e com boa razão, afinal ela é a estrutura mais longa já construída! Se considerarmos todas as seções da Grande Muralha, incluindo os pedaços que se afastam da estrutura principal, o comprimento da Muralha corresponderia a um total de incríveis 21.196 km! Obviamente, muito trabalho duro foi necessário para a construção desta magnífica estrutura, mas você já parou para pensar em por que uma determinada civilização escolheria construir um projeto tão ambicioso como? Por que um governo iria querer construir uma muralha tão grande? Ao longo desse post, você vai conhecer os principais motivos que levaram à criação da Grande Muralha da China.

Uma questão de segurança

Antes de tudo, é preciso destacar que a civilização chinesa floresceu nas férteis planícies do leste da Ásia principalmente pelo fato de ter sido abençoada com um grande número de sistemas fluviais nessas regiões. Sem surpresa, os chineses conseguiram fazer avanços importantes ao utilizar promissoras tecnologias agrícolas. Tudo isso contribuiu para que a maioria dos cidadãos do país optasse por uma vida doméstica tranquila e governada por um estado político coeso.

No entanto, nesse mesmo período, a natureza não foi tão gentil com os vizinhos da China. As regiões central e norte da Ásia possuíam apenas planícies áridas, de modo que os habitantes dessas terras nunca tiveram a opção estabelecer medidas econômicas mais complexas por muito tempo. Em vez disso, os moradores desses países foram forçados a buscar a vida pastoral. O problema é que isso não era suficiente para saciar suas necessidades básicas.

Por isso, não é de se admirar que as tribos nômades dessas regiões achassem uma boa ideia atacar as prósperas terras da China. Por ficar localizada entre o inóspito platô tibetano a oeste, o formidável Himalaia no sul e o vasto Oceano Pacífico a leste, a China era muito bem protegida nessas fronteiras, mas ao mesmo tempo ficava vulnerável do lado norte e noroeste do império. Desse modo, ambas as áreas ficavam abertas para ataques de tribos mongóis, turcas e xiongnu.

Foi exatamente por conta dessa “brecha” que a China optou por construir uma muralha. Bem, na prática, essa construção não era apenas uma “simples parede”, mas sim várias paredes diferentes sendo misturadas. Além disso, as seções da Grande Muralha não foram feitas por um único imperador. Diferentes partes foram construídas em diferentes séculos, ou seja, a Grande Muralha foi um projeto a longo prazo que a China antiga se recusou a abandonar com o passar do tempo.

O início da construção

A menção mais antiga da Grande Muralha pode ser rastreada em poemas chineses do século VII AC. Antes de a China ser unificada sob a dinastia Qin, a nação era composta de estados conflitantes que constantemente disputavam o poder entre si. Esses estados eram todos governados por diferentes governantes. Um deles, o duque do estado de Qi, decidiu construir um muro para bloquear os ataques do estado vizinho, Chu. Os outros soberanos viram aquilo como uma boa ideia e seguiram o exemplo ao construírem as suas próprias muralhas. Curiosamente, essas muralhas se tornaram as primeiras seções do que seria conhecido como a Grande Muralha da China.

Mas foi só no ano de 221 aC que algo realmente extraordinário ocorreu. O imperador Qin Shi Huang (aquele com o exército de terracota) conseguiu unir toda a China sob seu reinado, algo antes absolutamente inimaginável! No entanto, como sabemos, com grande poder vem uma grande responsabilidade, sendo que o imperador logo teve que encontrar uma nova maneira de proteger a soberania de seu império. Para fazer isso, ele simplesmente escolheu aprimorar o que já tinha de melhor: muros.

Então, Qin Shi Huang começou a conectar todas as muralhas que já haviam sido construídas pelos estados em guerra e as fortaleceu com a mais nova tecnologia disponível naquela época. Sua nova muralha de 5 mil quilômetros se estendia de Lintao a oeste e Liaodong a leste. De acordo com os mapas de hoje, é possível constatar que o imperador ligou as paredes das províncias de Gansu, Ningxia Hui Região Autônoma, províncias de Shaanxi e Shanxi, Mongólia Interior, províncias de Hebei e Liaoning, assim como parte da Coreia do Norte.

A expansão

Anos depois e sob o governo de um novo imperador, Han Gaozu, o muro se expandiu ainda mais. No final do seu reinado, o muro se estendia por quase 6 mil quilômetros, partindo de Dunhuang, a leste, e terminando no Oceano Pacífico, a oeste. Tempos depois, o imperador da dinastia Han, Han Wudi, acabou abrindo a Rota da Seda para negociar com o Ocidente. No entanto, a Rota da Seda estava propensa a ataques das violentas tribos mongóis. Por conta disso, Han Wudi viu ali um outro motivo para fortalecer e estender ainda mais a Grande Muralha para o oeste.

É importante destacar que, apesar das medidas extremamente cautelosas e do seu avançado método de construção, a Grande Muralha não era completamente insuperável. De fato, os invasores mongóis eram mais inteligentes do que os chineses jamais poderiam imaginar. Tanto Genghis Khan quanto Kublai Khan conseguiram superar o Muro e conquistar a China durante seus respectivos governos. Tanto é que, após a invasão de Kublai Khan no século 11 dC, a China foi incorporada ao Império Mongol e foi governada pela dinastia Yuan, liderada pelos mongóis.

Anos mais tarde, a dinastia Ming finalmente conseguiu derrubar o domínio estrangeiro da dinastia Yuan, mais especificamente no final do século 13 dC. Agora que os chineses estavam de volta ao seu território nativo, eles decidiram fazer algumas melhorias na Grande Muralha, que era sua única linha de defesa contra futuros invasores. De fato, os imperadores da Dinastia Ming nunca pararam de construir e adicionar mais conteúdo à Muralha. Por três séculos consecutivos, novas seções foram adicionadas à Muralha, enquanto as áreas mais antigas eram reparadas e fortificadas.

O “fim”

Em 1644, apesar da vigilância constante da Dinastia Ming, a Grande Muralha da China, mostrou-se mais uma vez não ser totalmente eficaz contra as invasões de povos estrangeiros. Desta vez, os invasores vieram do norte do estado de Manchu. Os clãs manchus derrubaram a Dinastia Ming e estabeleceram sua própria dinastia Qing. Sob a dinastia Qing, a Grande Muralha entrou em desuso. Claro, isso não deveria ser uma surpresa. Afinal, o Muro foi construído para impedir a invasão das pessoas que agora eram responsáveis ​​pela sua manutenção. Além de sua agenda pessoal contra o Muro, havia também uma razão logística para o desinteresse do novo império, já que desde que Manchu havia sido incorporada ao território chinês, a Grande Muralha não estava mais na fronteira do Império, mas sim no centro, torando-se obsoleta.

Vale destacar que a Grande Muralha já foi usada como uma vantagem tática contra o exército japonês durante a Segunda Guerra Mundial. Também há rumores de que algumas áreas da Grande Muralha ainda são usadas para treinar as forças armadas chinesas. No entanto, o fato é que, no geral, o Muro não serve mais para fins defensivos. Mesmo assim, parece uma estranha reviravolta do destino que a magnífica Muralha da China, que uma vez impediu invasores de entrar em terras chinesas, agora está sempre sobrecarregada de milhões de turistas estrangeiros todos os anos. Bem, nesse caso, o turismo do país agradece!

História interessante, não é mesmo? Compartilhe o post e deixe o seu comentário!

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