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O que é feudalismo?

O que é feudalismo?

Ao longo de toda a história humana, muitos sistemas governamentais, culturais, sociais e políticos já foram testados. Alguns funcionaram por milênios, outros por séculos e alguns duraram apenas por um curto período de tempo e em cantos isolados do mundo.

Um dos modos de organização social e política mais icônicos da história foi a prática do chamado “feudalismo”, amplamente praticado em toda a Europa entre os séculos séculos IX e XV. Essa combinação de filosofias e hierarquias foi vista em várias esferas da história antiga e ainda persiste até hoje em algumas partes do mundo.

Mas afinal, o que é o feudalismo? Quais são os seus pontos positivos e negativos?

Entendendo o conceito

Por definição, o feudalismo é uma combinação de estratégias legais, militares e políticas que foram amplamente aplicadas em toda a Europa medieval no passado e que se baseavam principalmente na propriedade de terras e na sua distribuição em troca de pagamentos, serviços e proteção.

Para entender a origem do feudalismo, precisamos primeiramente lembrar que a Idade Média começou com um período conhecido como “Idade das Trevas”, que ocorrer em decorrência do colapso dos impérios romano e grego. Basicamente, este era um período sem lei e sem sentido na Europa, mas à medida que as fronteiras nacionais se tornavam mais definidas e as terras se tornavam protegidas por “reis”, surgia uma esperança de tempos mais estáveis. Após gerações de lutas, invasões bárbaras, pobreza e incerteza, a hierarquia proposta pelo feudalismo acabou sendo reconhecida como uma mudança bem-vinda no século IX.

No topo deste sistema estava o rei, que durante a Idade Média era considerado a “coisa mais próxima de Deus” para as nações medievais. De fato, muitos países consideravam o rei um canal direto para Deus. Por causa disso, o rei “possuía” toda a terra do país, embora outras grandes áreas de terra (feudos) eram alugadas a outras pessoas (nobres, barões). Na prática, o fato de um barão ser leal e apoiar o rei significava que ele receberia um pedaço de terra, que consequentemente lhe forneceria renda em troca do fornecimento de cavaleiros e pagamentos ao rei, que por sua vez buscava meios de defender as terras sob seu domínio.

A composição de uma sociedade feudal

É importante destacar que os barões que controlavam imensos feudos também podiam sublocar partes menores das terras para terceiros, formando uma hierarquia de nobreza. Nessa sociedade, os barões costumavam ser extremamente ricos e os cavaleiros eram bem recompensados, de modo que esses defensores muitas vezes até tinham pequenas propriedades, embora fossem obrigados a lutar no caso de um conflito militar.

Por outro lado, o maior grupo demográfico da população eram composto por servos e camponeses. Supondo que eles representavam aproximadamente 90% da população em uma sociedade feudal, esses indivíduos trabalhavam em terras de terceiros para fornecer alimentos e suprimentos para o resto do feudo, em troca de proteção e capacidade de sustentar suas famílias. Os servos eram quase sempre pobres, mas era possível subir na pirâmide do feudalismo, ainda que lentamente, desde que eles fossem capazes de se tornarem pessoas com “habilidades diferenciadas”, como soldados ou especialistas em alguma outra coisa.

O feudalismo caiu em declínio quando as economias dos países europeus começaram a usar o dinheiro em vez de terra e agricultura. Hoje, historiadores e especialistas costumam usar o termo feudalismo com uma conotação negativa, já que havia muito abuso e desigualdade de renda nesse sistema. No entanto, apesar do claro desequilíbrio dessa hierarquia, há aspectos positivos e negativos do feudalismo, particularmente quando considerado o contexto da Idade Média.

Vantagens

Considerando que o feudalismo começou há mais de mil anos, é impressionante pensarmos que nessa época já existia um sistema relativamente civilizado no qual as pessoas se organizavam em uma espécie de pirâmide social. Todos desempenhavam um papel fundamental na sociedade, e assim, eram recompensados por seus serviços prestados.

A tomada de decisões era disseminada e delegada ao longo das linhas hierárquicas, dando incentivos aos indivíduos, ao invés de uma lealdade cega a um imperador a milhares de quilômetros de distância, como acontecia nos antigos impérios. Ao criar um relacionamento mutuamente benéfico entre senhores e vassalos, o feudalismo criou uma sociedade mais estável, segura e produtiva, bem diferente do caos vivido na Idade das Trevas.

Além disso, ao garantir que todos contassem com um propósito e um lugar dentro da sociedade, os reis também conseguiam promover a lealdade nacional. Por último, os indivíduos eram separados entre aqueles que desejavam trabalhar e aqueles que queriam lutar, dando-lhes uma certa dose de liberdade sobre seu destino, mesmo nos níveis mais baixos de um feudo.

Desvantagens

Embora o feudalismo tenha apresentado certas vantagens na Idade Média, esse sistema não deixava de ser uma máquina de opressões. Ao dar ao rei o poder absoluto, não havia limites inerentes para suas ações, ganância ou comportamento. Impostos exorbitantes podiam ser cobrados dos servos por anos a fio, tudo para que as hierarquias da nobreza permanecessem com estilos de vida confortáveis e duradouros.

Além disso, com 90% da população trabalhando nos campos e dando a maior parte de sua renda e produção àqueles acima deles na pirâmide hierárquica, havia pouca oportunidade para algum tipo de justiça social. Outro ponto que merece destaque é que esse sistema também gerava bastante desconfiança e conspiração, pois os reis tinham que manter seus barões continuamente felizes, por medo de uma insurreição ou rebelião.

Por fim, havia pouca importância dada à inteligência e à meritocracia. Sem um aspecto meritocrático, e sendo dominado pela força e pelo abuso do poder, o feudalismo é visto hoje como um sistema estagnado e que não conseguiu impulsionar a Europa em termos de pensamento social ou filosófico, embora tenha conseguido preencher a lacuna pós-Idade das Trevas.

Feudalismo nos dias atuais

Como mencionado anteriormente, o termo “feudalismo” ainda é ouvido nos dias hoje, mas os seus usos e significados se tornaram muito amplos e um tanto diferentes do “feudalismo original”. Alguns sistemas hierárquicos atuais que possuem certas semelhanças com os sistemas feudais inclui o sistema de castas indiano, as organizações criminosas e até mesmo alguns aspectos da forma de governo da Coreia do Norte.

No entanto, as organizações mafiosas em todo o mundo talvez sejam os melhores exemplos dos “sistemas feudais modernos”, já que um líder poderoso controla uma determinada seção de uma cidade ou país, com tenentes e membros de alto escalão controlando áreas menores dentro dessas regiões.

De fato, indivíduos, locatários e empresas devem muitas vezes pagar dinheiro de “proteção” a esses chefes da máfia, que muitas vezes podem representar uma grande parcela de sua renda, garantindo que muitas pessoas continuem sendo oprimidas ao viver sob o domínio de seus “senhores feudais”.

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