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Afinal, as plantas também precisam dormir?

Afinal, as plantas também precisam dormir?

Qual é a atividade que os humanos mais gostam de desempenhar? Muitas pessoas podem listar uma série de coisas, como comer uma comida deliciosa, ir à academia, tocar seu instrumento musical ou até assistir ao seu programa favorito. No entanto, existe apenas uma resposta para essa pergunta capaz de abranger praticamente qualquer indivíduo: dormir. De fato, dormir é o que nos mantém vivos (literalmente).

Naturalmente, as pessoas costumam dormir à noite, enquanto cães e gatos cochilam praticamente sempre que podem. Mas e quanto a outros seres vivos, como plantas? Será que depois de um longo dia de fotossíntese as árvores também adormecem?

Primeiramente, é preciso dizer que, dependendo de como você define “sono”, as árvores tendem a relaxar seus galhos à noite, o que pode servir como um sinal de algum tipo de “soneca”, segundo alguns cientistas. No entanto, para entendermos isso da melhor forma, vamos explorar alguns tópicos ao longo desse artigo que ajudam a clarificar o assunto.

As plantas também precisam dormir?

Assim como os seres humanos, que trabalham durante o dia e fecham os olhos à noite, as plantas também trabalham levando em conta o ciclo do Sol e são conhecidas por contarem com genes que se ligam e se apagam no que é conhecido como “ritmo circadiano”. Basicamente, o ritmo circadiano é um ciclo que diz ao nosso corpo quando dormir, levantar e comer, regulando muitos processos fisiológicos. Levando isso em conta, podemos concluir que as árvores podem realmente passar algumas horas da noite “dormindo” também.

No entanto, é importante deixar claro que este não é o tipo de sono que estamos acostumados. Por exemplo, as árvores geralmente relaxam e deixam seus galhos caírem quando o sol se põe. Além disso, elas também encerram certos processos, como a fotossíntese. Desse modo, quando o sol se põe, o foco da planta muda para fornecer glicose por toda a sua estrutura.

Vale mencionar que a luz solar é um elemento-chave para os seres humanos que nos permite saber a que horas dormir e quando acordar, sendo que o mesmo vale para as plantas. Enquanto a luz e a escuridão podem dizer ao seu corpo quando produzir o hormônio melatonina, que faz com que ele se sinta sonolento, essa relação entre claridade e escuridão também pode dizer às plantas quando produzir o hormônio auxina, que controla seu crescimento e desenvolvimento.

De fato, a maioria dos organismos vivos apresenta ritmos circadianos diurnos e noturnos, tanto é que qualquer jardineiro já deve ter notado que algumas plantas abrem suas flores pela manhã e que algumas árvores fecham suas folhas à noite. Consequentemente, estudar os movimentos das árvores dessa maneira pode até se tornar uma maneira econômica de monitorar a saúde das plantas. Em outras palavras, ter uma boa noite de sono parece ser algo importante para praticamente todos os organismos, até mesmo para as plantas.

Como os cientistas chegaram a essa conclusão?

Em busca de uma resposta para essa pergunta interessante, um trabalho em conjunto realizado por pesquisadores da Áustria, Finlândia e Hungria usou scanners a laser em árvores totalmente crescidas para medir seu “movimento indicador do sono”. A equipe mediu a atividade das plantas usando scanners a laser, concentrando-as em duas bétulas, uma na Áustria e outra na Finlândia.

Na prática, todo esse mapeamento ajudou a construir uma imagem 3D completa das árvores. Consequentemente, isso permitiu que os pesquisadores rastreassem as mudanças na posição das folhas e galhos das árvores com centímetros de precisão, além de permitir que as análises pudessem ocorrer à noite e em total escuridão, garantindo que isso não perturbasse acidentalmente o ritmo circadiano das plantas.

Além disso, ambos os testes foram realizados próximos ao equinócio solar (onde a duração do dia e da noite são praticamente iguais), em condições calmas e sem vento ou condensação. Durante o fim do estudo, eles descobriram que as árvores medidas nos dois países apresentavam quedas mensuráveis dos seus galhos ao longo da noite, sendo que essas observações permitiram descartar o efeito do clima e da localização e concluir que as árvores realmente “dormiam” ao seu próprio modo.

No entanto, alguns pesquisadores ainda não estão convencidos de que a queda das folhas seja um processo ativo ou passivo, até porque a queda dos galhos poderia ser causada por uma queda na pressão interna da planta. Durante o dia, quando a planta está passando por fotossíntese, uma força chamada ‘pressão do turgor’ se acumula nas folhas. Na ausência de luz solar, essa pressão tende a cair, pois a planta não está fotossintetizando.

Ou seja…

Com tudo isso em mente, o que podemos concluir é que as árvores se movem à noite de uma maneira que, para nós, seres humanos, acaba se parecendo muito com alguma atividade relacionada ao sono. Embora isso ainda seja motivo de debates entre a comunidade científica, os resultados obtidos através de pesquisas são definitivamente boas indicações da existência de um ciclo noturno para plantas, algo que nunca havia sido registrado nos anos anteriores.

Além disso, embora as plantas não sejam capazes de andar pela cidade e procurar por comida (ou visitar uma loja de conveniência), elas realmente fazem pequenos movimentos para maximizar sua exposição à luz solar que gera energia. Durante o dia, elas absorvem a luz do sol para gerar energia através da fotossíntese, que é tecnicamente a “forma de comer” utilizada pelas plantas. Então, à noite, eles concentram sua atenção no metabolismo da energia que ingerem e depois a usam para crescer, algo semelhante ao que ocorre com a gente.

Os pesquisadores esperam que pesquisas mais complexas realizadas no futuro possam examinar o movimento da água dentro de cada árvore e compará-lo com as medições feitas pelas varreduras a laser. Em tese, isso poderá fornecer uma melhor compreensão do uso diário da água das árvores e sua influência no clima local ou regional nas quais elas estão inseridas.

Ou seja, talvez dizer “boa noite” ao seu jardim antes de ir para a cama não seja tão um hábito tão louco quanto pode parecer.

Muito interessante, não é mesmo? Compartilhe o post e deixe o seu comentário!

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