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Por que as pinturas rupestres não desaparecem com o passar do tempo?

Imagine que você está caminhando pela península Ibérica, na Espanha moderna, e acaba tropeçado na entrada escondida de uma caverna. Superando seus medos, você acende a sua lanterna e entra no local desconhecido. Pouco você sabe que, há mais de 60.000 anos, um artista pré-histórico entrou na mesma caverna para criar pinturas que serviriam como um dos primeiros exemplos de arte humana: as pinturas rupestres.

Pois bem, embora esse seja apenas um exemplo, é possível notarmos bons exemplos de arte rupestre preservada em todo o mundo, desde as cavernas de Lascaux até as pinturas recentemente descobertas na ilha de Bornéu, que por sua vez estão sendo amplamente consideradas a arte figurativa mais antiga já descoberta. No entanto, a questão que fica é: como essas pinturas rupestres sobreviveram por dezenas de milhares de anos, ao mesmo tempo em que outros sinais das primeiras civilizações foram perdidos nas areias do tempo?

Ao longo desse artigo, nós vamos explorar alguns tópicos que podem nos ajudar a entender como as pinturas rupestres conseguem ficar preservadas por tanto tempo.

A história por trás das pinturas rupestres

As primeiras pinturas em cavernas só chegaram a ser descobertas em meados do final do século 19. Curiosamente, nesse período não se acreditava muito nas alegações de que elas datavam do período Paleolítico (o mais antigo da Pré-História), pois isso era contrário às crenças antropológicas anteriores sobre os seres humanos primitivos e suas habilidades cognitivas. Foi só com as descobertas adicionais do século 20 que veio a confirmação definitiva de que os primeiros seres humanos eram mais habilidosos do que se acreditava anteriormente.

Em toda a França e Espanha, várias descobertas chamavam a atenção para este campo, ao mesmo tempo em que as pinturas rupestres tornavam-se lentes críticas da história dos neandertais e do homem moderno. Mais de 150 sítios somente nesses dois países forneceram informações valiosas sobre o passado. A maioria das pinturas rupestres que foram descobertas retratavam símbolos e animais, às vezes ostentando centenas de imagens na mesma caverna.

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Consequentemente, isso passou a nos dar uma melhor compreensão sobre a fauna e a flora presentes na época em que essas pinturas foram feitas, bem como o nível de sofisticação e linguagem simbólica do homem pré-histórico.

As cavernas de Lascaux, descobertas em 1940, possuíam o título das mais antigas pinturas rupestres conhecidas, com cerca de 17.000 anos de idade. No entanto, nos últimos anos, o cronograma mudou com as emocionantes descobertas em Bornéu (com aproximadamente 40.000 a 52.000 anos), nas cavernas de Gabardung na Austrália (com pelo menos 28.000 anos) e na península Ibérica (64.000 anos).

Uma tinta de qualidade

Como todos sabemos, a natureza é a força mais destrutiva e ao mesmo tempo criativa do planeta. Basta darmos uma olhada no Grand Canyon ou nos topos das Montanhas Apalaches para vermos as evidências desse poder insistente. Por esse motivo, os restos das civilizações antigas e do homem primitivo são difíceis de encontrar e estudar. Ferramentas, fundações estruturais, artefatos e restos se decompõem e desaparecem gradualmente, até porque se tratam de coisas de dezenas de milhares de anos.

No entanto, as pinturas rupestres são capazes de se defender eficazmente contra a devastação do tempo. Para começar, as tintas e os corantes usados por esses artistas eram de natureza orgânica, como ferro ou hematita, que se combinavam para formar um pigmento chamado ocre, quando começavam a oxidar. Na prática, esse pigmento poderia ser misturado com carvão ou ossos queimados para dar origem a uma tinta com gordura animal ou outros óleos naturais.

Vale destacar que esses pigmentos não estavam disponíveis em todos os lugares e provavelmente até chegaram a ser considerados valiosos. De fato, devido à descoberta de pigmentos e tintas perto de locais funerários e religiosos, sugere-se que tais pinturas podem representar ritos cerimoniais ou de natureza sagrada. Enquanto isso, os pigmentos em si, como óxido de ferro e carvão vegetal, são altamente resistentes ao desbotamento, a menos que sejam expostos ao fogo ou a produtos químicos.

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A estrutura da caverna faz toda a diferença

Nos casos envolvendo cavernas de calcário, também existe um processo decorrente da infiltração de água da chuva no qual a água que penetra nas fendas da rocha tende a formar uma camada ou um revestimento de bicarbonato que efetivamente esmalta as pinturas na parede, permitindo que elas mantenham-se preservadas com tons vívidos por milhares de anos depois.

No entanto, talvez o fator mais importante na preservação dessas pinturas tem a ver com o fato de que as cavernas são lugares relativamente estáveis, especialmente aquelas que não estão sujeitas a alterações no nível da água ou que não sofrem com a flutuação estrutural devido ao movimento tectônico e de atividades vulcânicas.

Desse modo, a temperatura e a umidade desses locais sempre foram muito bem reguladas e mudavam minimamente em longos períodos de tempo. Consequentemente, a erosão e a corrosão simplesmente não se tornaram grandes ameaças, o que permitiu que essas pinturas continuassem a existir sem deterioração.

O papel da ausência de seres humanos na preservação das pinturas rupestres

O fator final que permitiu que essas pinturas rupestres sobrevivessem desde os tempos pré-históricos é a ausência da interferência dos seres humanos. De fato, algumas dessas cavernas podem ter ficado desabitadas ou intocadas por milênios. Desse modo, uma vez que uma tribo ou grupo deixou uma determinada região e seus esforços artísticos para trás, talvez nunca mais esse local tenha voltado a ser ocupado.

Como já vimos em inúmeros casos no nosso cotidiano, os seres humanos são notoriamente destrutivos quando encontram algo com beleza e valor histórico. A comercialização excessiva de certos parques nacionais nos Estados Unidos são um bom exemplo disso, assim como os preços astronômicos que algumas pessoas pagam para escalar o Monte Everest com o máximo de conforto, consequentemente deixando grandes quantidades de lixo para trás.

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As cavernas de Lascaux, mencionadas acima, experimentaram precisamente esse tipo de “fama prejudicial”. No auge da popularidade da atração turística, mais de 100 mil pessoas visitavam essas cavernas lendárias todos os anos. O problema era que os milhões de flashes das câmeras e as exalações de dióxido de carbono no espaço fechado estavam prejudicando rapidamente as pinturas, o que fez com que as cavernas fossem fechadas ao público.

Para tentar equilibrar as coisas, uma réplica das paredes das cavernas foi erguida e muitas outras cavernas e locais arqueologicamente valiosos ao redor do mundo impuseram restrições semelhantes aos turistas, a fim de preservar a integridade dos resquícios da história humana.

As pinturas rupestres são realmente interessantes, não é mesmo? Compartilhe o post e deixe o seu comentário!

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