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Por que os parafusos comuns são apertados no sentido horário?

Por que os parafusos comuns são apertados no sentido horário?

Embora um parafuso não seja nada mais do que um plano inclinado enrolado em uma pequena estrutura em espiral, é interessante pensarmos que esse tipo de peça está presente em uma enorme quantidade de coisas ao nosso redor. No entanto, o que chama ainda mais a atenção é que, apesar o fato de que hoje em dia os parafusos são vendidos em tamanhos padrão e normalmente são apertados girando no sentido horário (e soltos girando no sentido anti-horário), a coisa toda nem sempre foi assim.

Para se ter uma ideia, o desenvolvimento do sistema previsível dos parafusos que desfrutamos nos dias de hoje levou cerca de 2.000 anos para ser totalmente definido! Ou seja, isso serve como um ótimo exemplo de como algumas coisas que parecem ser simples nos dias de hoje eram bem diferentes no passado. Mas, afinal de contas, como ficou decidido que os parafusos comuns deveriam ser apertados no sentido horário?

Ao longo desse post, você vai conhecer um pouco da história dos parafusos e ficar por dentro dos fatores que determinaram o modelo padrão dessas peças em espiral.

A história e a evolução dos parafusos

No geral, acredita-se que Arquitas de Tarento (428 aC – 350 aC), amigo de Platão, tenha sido o inventor do parafuso por volta de 400 aC, enquanto Arquimedes (287 aC – 212 aC) foi um dos primeiros a perceber a capacidade do parafuso de consertar várias coisas. Por outro lado, os romanos foram os primeiros a produzir parafusos em grande escala, geralmente cortando-os à mão e fabricando-os com bronze e prata.

No início, parafusos de todos os tamanhos possíveis eram usados ​​para pressionar portas, ajudar a fixar alavancas e, é claro, anexar coisas. No entanto, uma vez que esses primeiros parafusos eram feitos à mão, os seus tamanhos raramente eram precisos como deveriam e tendiam a variar de acordo com a habilidade de perfeição do artesão. Daí surgiu a necessidade de desenvolver algum tipo de máquina capaz de fabricar parafusos sem tantas discrepâncias no tamanho.

Em meados do século XVI, o matemático Jaques Besson, da corte francesa, havia inventado um tipo de torno especialmente desenvolvido com o objetivo de moldar parafusos, embora demorasse mais de 100 anos para todo esse processo decolar em larga escala. O torno moderno foi criado anos mais tarde pelo inglês Henry Maudsley, mais especificamente em 1797. Com ele, as roscas dos parafusos podiam ser cortadas com grande precisão. No entanto, um problema em particular ainda persistia, pois não havia um sistema uniforme para os tamanhos das roscas.

Isso só foi ser finalmente resolvido pelo aprendiz de Maudsley, Joseph Whitworth (1803-1887), a partir de 1841, quando ele apresentou um artigo defendendo um sistema uniforme de roscas ao Instituto de Engenheiros Civis. Sua sugestão era bastante simples e se dividia em duas ideias: primeiramente, o ângulo dos parafusos deveria ser padronizado a 55 graus; em segundo lugar, o número de roscas por polegada também deveria ser padronizado, embora elas pudessem variar a depender do diâmetro do parafuso.

O estabelecimento da forma correta de apertar os parafusos

Como deu para perceber, a ideia de padronizar os parafusos foi muito importante para sanar os problemas que envolviam essa peça, mas o fato do parafuso girar para a direita ao ser apertado provavelmente já era um princípio bem estabelecido, pois havia um conhecimento comum de que as pessoas destras teriam muito mais força para apertar um parafuso se fizessem isso no sentido horário. Como a grande maioria das pessoas da época era destra (entre 70% e 90% da população), o conhecimento comum acabou virando um padrão.

De qualquer forma, o fato era que a ideia de padronização dos parafusos idealizada por Whitworth acabou ganhando popularidade rapidamente, sendo que logo depois que ele sugeriu, o modelo padrão de Whitworth foi adotado em toda a Inglaterra, Estados Unidos e Canadá na década de 1860. No entanto, não era um parafuso necessariamente fácil de ser produzido, pois ele exigia três tipos de cortadores e dois tipos de torno, o que tornava a sua produção mais cara e trabalhosa.

A definição final do modelo padrão de parafusos

Para aliviar alguns dos problemas mais comuns envolvendo a fabricação de parafusos através do modelo padrão de Whitworth, o americano William Sellers, em 1864, inventou um parafuso com cristas mais planas, uma modificação simples, mas que faria com que o parafuso pudesse ser feito com apenas um cortador e torno. Mais rápido e fácil fácil de ser produzido, além de ser mais barato, o modelo de parafuso de Sellers se tornou popular nos Estados Unidos e logo se tornou padrão entre as ferrovias americana.

Ainda assim, os britânicos preferiram ficar com o parafuso um pouco mais “confuso” de Whitworth. Na prática, os diferentes padrões apresentaram poucos problemas de compatibilidade, até a Segunda Guerra Mundial, quando tropas britânicas, canadenses e americanas misturaram seus equipamentos e peças de reparo. Por conta disso, após a guerra, o Canadá, os Estados Unidos e o Reino Unido concordaram em adotar um padrão universalizado, sem quaisquer discrepâncias entre os produzidos na Europa e os produzidos na América.

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