Curiosidades

Por que várias companhias aéreas famosas acabam indo à falência?

Por que várias companhias aéreas famosas acabam indo à falência?

Ao longo das décadas, as transações envolvendo fusões e compras de empresas do ramo seguiam de forma relativamente lenta, mas desde 2017, várias companhias aéreas, principalmente europeias, acabam declarando falência. A Thomas Cook Airlines é apenas o caso mais recente de uma longa lista de companhias aéreas em decadência. Até mesmo o mercado brasileiro sentiu isso recentemente com o colapso da Avianca Brasil.

Consequentemente, tudo isso pode levar a uma pergunta interessante: afinal de contas, por que tantas companhias aéreas estão indo à falência?

Despesas gerais muito altas

Uma das tarefas mais difíceis que envolvem a administração de uma companhia aérea é projetar com precisão todos os custos envolvidos. O problema é que, em termos de despesas gerais, muitos dos custos envolvidos não costumam ser fixos ou minimamente estáveis. Os custos com o combustível, por exemplo, são uma das despesas mais significativas para as companhias aéreas, de modo que a variação natural no custo disso pode tornar o orçamento da empresa algo muito complexo.

Segundo o website Statista, os custos de combustível representaram uma média de 23,5% do total das despesas que as companhias aéreas tiveram ao longo de 2018. Ao longo de 2018, os custos com o combustível de aviação dispararam bem no auge da temporada de verão e depois caíram novamente, o que complicou o controle de gastos de grande parte das companhias aéreas. Na prática, esse tipo de variação pode acabar sendo um golpe fatal para muitas companhias, especialmente aquelas que já sofrem problemas financeiros por outros motivos.

Além disso, em muitas partes do mundo os custos de mão-de-obra também mudaram. De fato, a agência de notícias britânica Reuters diz que os custos de mão-de-obra superaram os custos com o combustível como a maior despesa individual das companhias aéreas globais em 2016, representando um total de 22% dos custos envolvidos contra 21% do combustível.

Somado a isso, os impostos sobre as empresas por parte de algumas nações aumentam ainda mais as despesas gerais das companhias aéreas e tendem a representar um custo que aumenta cada vez mais, ano após ano. Desse modo, as companhias aéreas com pouco amortecimento financeiro por trás delas não conseguem sobreviver sob essas circunstâncias.

Erros de planejamento e equívocos envolvendo a expansão dos serviços

O crescimento de frotas e a oferta de mais serviços costumam ser coisas boas para as companhias aéreas, mas o fato é que isso deve ser feito da maneira correta. Quando as companhias tentam expandir os seus horizontes muito cedo, a estabilidade financeira tende a se perder e as coisas podem começam a dar errado. Um bom exemplo disso envolveu a companhia aérea dinamarquesa Primera Air, que deixou de operar em outubro do ano passado.

Nascida com o objetivo de ser uma companhia aérea de baixo custo, a Primera estava indo muito bem nos seus primeiros anos de vida. No entanto, o seu sucesso inicial fez com que os seus diretores tentassem colocar em prática um plano de expansão muito ousado, estabelecendo novas bases de operações e até mesmo iniciando a operação de voos transatlânticos de baixo custo. O resultado final foi muito dinheiro saindo, pouco entrando e as operações ficando cada vez mais caóticas, culminando na falência da empresa.

Algo parecido também aconteceu com a companhia islandesa WOW Air, que de forma semelhante também não conseguiu fazer dinheiro ao entrar no mundo cruel das rotas transatlânticas com tarifas ridiculamente baixas. Embora muitos passageiros ficassem encantados com o baixo preço das tarifas, a WOW Air não conseguia fazer dinheiro algum com essa estratégia e teve um fim melancólico semelhante ao caso da Primera Air.

Excesso de oferta

Embora esse não seja necessariamente o caso do Brasil, o fato é que a oferta pode exceder a demanda em vários lugares, sendo que o mercado europeu não é diferente. Na prática, o excesso de ofertas significa que os mais fracos não sobreviverão, como foi o caso da Monarch Airlines, que entrou em colapso em 2017. Abrangendo tanto o mercado das companhias de baixo custo quanto o mercado mais voltado para o lazer, a Monarch não conseguiu se solidificar em nenhum dos mercados e, como tal, logo se viu condenada ao fracasso.

Segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo, os vôos na Europa cresceram mais de 40% na última década. Simultaneamente, as tarifas caíram, pressionando as margens de lucro e reduzindo a quantidade de espaço de manobra financeira disponível para muitas empresas.

Vale destacar que não é apenas na Europa que as companhias aéreas também enfrentam forte concorrência. A indiana Jet Airways descobriu que não poderia se defender da maré crescente de outras companhias na Índia, o que logo culminou no seu fim.

Já na África do Sul, a South African Airways mal consegue aguentar a concorrência das companhias estrangeiras em seu território, o que prova que a ausência de medidas para se sobressair no meio da concorrência pode ser algo muito perigoso para a saúde da empresa.

Outras influências

Outros fatores também tornaram os últimos anos particularmente difíceis para as companhias aéreas em termos financeiros. Além do aumento do custo de combustível de aviação e da mão-de-obra, um enorme aumento de greves organizadas por controladores de tráfego aéreo e pilotos em toda a Europa também causou uma enorme dor de cabeça para as companhias aéreas.

Curiosamente, muitas dessas greves surgiram por conta das más condições de trabalho por parte das próprias empresas, o que resultou em uma espécie de bola de neve repleta de problemas. A Ryanair destacou o impacto do aumento de greves no ano passado, dizendo que houve um aumento no número de paralisações de 300% em relação a 2017, e que somente em maio, 39.000 vôos foram adiados por conta disso. Vale destacar que atrasos significam compensação ou, no mínimo, uma grande perda da confiança do cliente, o que nunca é bom para nenhuma companhia aérea.

Vale destacar que, quando há uma greve de controladores de tráfego aéreo em uma determinada área, as companhias aéreas voam por um espaço aéreo alternativo para fazer as coisas funcionarem. No entanto, isso pode significar seguir uma rota um tanto indireta, o que claramente não é tão eficiente.

Embora as grandes companhias aéreas com margens de lucro saudáveis possam absorver facilmente o impacto de um evento como esse, para as companhias aéreas menores que já sobrevivem com muito pouco, isso pode ser um duro golpe.

O mercado da aviação é muito complexo, não é mesmo? Compartilhe o post e deixe o seu comentário!

Leia Também: