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O “anjo negro” e o suicídio de Getúlio Vargas

O “anjo negro” e o suicídio de Getúlio Vargas

Carlos Lacerda era um político e jornalista opositor ao Presidente Getúlio Vargas em 1954, através de seu jornal Tribuna de Imprensa fazia graves denúncias de corrupção contra o presidente, a principal delas envolvendo o Jornal “Última hora” que receberia dinheiro do governo para apoiar Vargas. O presidente estava cada vez mais acuado com as denúncias e ameaça de uma CPI para investiga-lo.

O “anjo negro” então resolve contra-atacar para defender Getúlio, Lacerda é vítima de um atentado a tiros, quando chegava no seu prédio, no dia 5 de agosto, o “atentado da Rua Tonelero”. Carlos Lacerda sobrevive apenas um leve ferimento no pé, se questiona até os dias atuais se realmente foi ferido, porém um militar que fazia sua segurança foi morto e a crise chega ao seu ápice.

O militar em questão era o Major Rubens Florentino Vaz da Força Aérea Brasileira e o “anjo negro”, provável mandante do atentado, era Gregório Fortunato, chefe da guarda pessoal de Getúlio Vargas, apelidado assim por seu porte físico avantajado, pela fidelidade ao presidente e pela sua pele de cor negra. Tanto que a própria guarda era nomeada “Guarda Negra”.

Gregório Fortunato, “o anjo negro”.

Gregório Fortunato, o “anjo negro”, nasceu, assim como Getúlio Vargas, em São Borja, Rio Grande do Sul. Filho de escravos alforriados, trabalhava como peão nas fazendas de gado da região, se aproximando do clã dos Vargas após participar da Revolução Constitucionalista de 1932, foi soldado do 14° Corpo Auxiliar de São Borja (que viria a se tornar a Brigada Militar do Rio Grande do Sul), naquela época comandada por Benjamin Vargas, irmão de Getúlio. Gregório chegou até a divisa de Tenente. No ano de 1938, após Getúlio Vargas sofrer uma tentativa de golpe pelos integralistas, foi formada, pelo mesmo Benjamin, a referida guarda pessoal, por vinte homens “selecionados a dedo”, colocando o “anjo negro” no comando devido à sua alta fidelidade ao clã Vargas.

Contudo, voltando ao atentado da Rua Tonelero e a morte do Major da FAB, cometido, comprovadamente, por homens de Gregório, o que seria uma tentativa de salvar o presidente, se é que foi realmente este o objetivo (documentos encontrados na época demonstravam que Gregório estava milionário e havia comprado por 4 milhões do dinheiro da época uma propriedade do filho mais moço de Getúlio, Manuel Vargas, o qual estava endividado), foi em vão. Ao contrário, a Aeronáutica abriu uma investigação apelidada de “República do Galeão”, em pouco tempo generais do exército também se voltaram contra Getúlio que se recusava a renunciar ou licenciar-se do cargo. Ainda mais pressionado, no dia 24 de agosto, com um tiro no coração Getúlio Vargas suicidou-se, preferiu abrir mão da vida do que da honra e do poder.

Em 24 de agosto de 1954, Getúlio Vargas suicida com um tiro no coração.

Gregório Fortunato foi condenado como mandante do atentado, sendo que em 23 de outubro de 1962, o “anjo negro” foi assassinado na prisão.

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