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A situação dos venezuelanos refugiados no Brasil

A situação dos venezuelanos refugiados no Brasil

Atualmente, mais de 52% dos imigrantes que chegaram no Brasil já voltaram para a Venezuela, segundo o Ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. Em suas redes sociais, detalhou os números:

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Boa parte dos imigrantes da Venezuela procuraram a Colômbia e entraram no Brasil, o que se refletiu no cotidiano da cidade de Boa Vista, capital de Roraima. O ministério divulgou a informação na terça (7 de julho) que aproximadamente 4 mil imigrantes ficaram em nove abrigos no Estado.

Além do acolhimento, 690 venezuelanos se voluntariaram para serem levados a outras cidades do Brasil como Manaus e Conde (PB), São Paulo, Rio, Igarassu (PE) e Cuiabá. Segundo a pasta, novas viagens foram realizadas, rumo ao Rio, Brasília, São Paulo e Cuiabá.

Segundo informações da Polícia Federal, entre os anos de 2015 até o mês de junho de 2018, 56,7 mil imigrantes procuraram a instituição para regular sua situação de refúgio ou residência no Brasil. e 11,1 mil solicitaram residência, e 35.540 pessoas solicitaram refúgio (situação na qual a pessoa se sente perseguida devido a sua religião, raça, grupo social, nacionalidade, opiniões políticas, ou por conta de situação grave e generalizada de violação de direitos humanos em seu país de origem).

Entenda a história

Muitos venezuelanos têm cruzado as fronteiras de seu país com o estado de Roraima, no Brasil, para tentarem buscar seu sustento, dada a crise econômica que assola a Venezuela. O Governo Federal chegou a assinar um decreto no qual reconhece “situação de vulnerabilidade” no estado, uma vez que tem sido frequentemente usado pelos imigrantes, ao fugirem da grande inflação (700%), problemas com abastecimento de alimentos e falência dos serviços públicos, o que também aumentou índices de violência no país inteiro.

Uma Medida Provisória prescreveu assistência emergencial aos imigrantes em diversas partes de Roraima, providenciando serviços como saúde, alimentação e segurança. Mais de 127,7 mil imigrantes buscaram abrigo no estado até hoje.

Imigrantes dormindo na rodoviária de Boa Vista

Só na cidade de Boa Vista, foi estimada entrada de aproximadamente 40.000 venezuelanos, mais de 10% dos 330.000 habitantes na capital de Roraima. Este número é maior ao da população de cidades pequenas de São Paulo, como Américo Brasiliense. Dado ao contingente, Roraima se encontra em uma particular e delicada crise de refugidos. Os abrigos se encontram lotados, muitos imigrantes têm dormido na rua. Maior parte vai até a cidade de Pacaraima, que possui uma população de 16.000 habitantes. Mesmo com o aumento de fluxo de imigrantes venezuelanos desde o ano retrasado, muitos acabaram chegando após dificuldades estabelecidas pelo governo da Colômbia, por meio de suas políticas para refugiados.

O documento assinado pelo governo brasileiro visa medidas para aumentar o alcance das políticas de mobilidade, apoio à interiorização dos imigrantes venezuelanos e distribuição destes no território nacional com a condição de que haja manifestação dessa vontade. Segundo a coordenadora do programa de Política Externa da Conectas Direitos Humanos Camila Asano, o apoio a refugiados venezuelanos e buscam oportunidades em outros locais é de extrema importância, uma vez que o mercado de trabalho em Roraima é muito restrito. Porém, Camila Asano afirma que a autenticação para interiorização necessita, condições mínimas, estando documentadas.

É imprescindível que cidades que receberão venezuelanos tenham boas articulações, a fim de evitar ações que tragam problemas, como os ocorridos na imigração dos haitianos, anos atrás. Também afirma que, com o fluxo migratório dos imigrantes neste auge depois do terremoto de 2010, o Governo acreano despachou vários ônibus com refugiados do Haiti para São Paulo, sem qualquer coordenação ou envolvimento com as autoridades no Estado, deixando as pessoas novamente desabrigadas e desamparadas.

A movimentação dos venezuelanos que chegava pela fronteira é muito complicada. Não era difícil encontrar pessoas que percorriam os mais de 200 quilômetros de Pacaraína (na fronteira) e a cidade de Boa Vista. Famílias inteiras, com crianças, sem dinheiro para pagar passagens ou transporte para se locomoverem. Os táxis-lotação cobram por volta de 50 reais, o que é impossível de se bancar quando os venezuelanos não tinham nem o que comer. O Conselho Nacional de Direitos Humanos (CDNH) realizou no fim de janeiro deste ano uma operação de avaliar condição dos imigrantes venezuelanos acolhidos nos estados de Roraima, Amazonas e Pará.

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