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Quem é Joaquín Guzmán, “El Chapo”?

Há algum tempo falamos sobre Pablo Escobar, um dos homens mais influentes e poderosos não só do narcotráfico, mas também do mundo nos anos 80 e 90. Hoje, trazemos Joaquín Guzmán Loera, mais conhecido como “El Chapo“, líder do Cartel de Sinaloa, México, a organização mais poderosa do mundo no tráfico de drogas.

Quem é ‘El Chapo?’

Nascido no México, Joaquín Guzmán Loera entrou no tráfico ainda jovem. Apelidado de “El Chapo” (ou “O Baixinho”, devido a sua baixa estatura), ele fundou o Cartel de Sinaloa em 1989 e fez com que este fosse uma organização imensamente lucrativa no tráfico de drogas, com alcance global.

Conhecido por suas ações violentas e postura poderosa, Guzmán orquestrou com muito sucesso várias fugas de prisões, inclusive de segurança máxima. Uma de suas fugas foi em julho de 2015, porém, foi capturado novamente mais tarde na cidade mexicana de Los Mochis.

Origens

El Chapo nasceu na cidade rural de Badiguato. Não se sabe ao certo o dia de seu nascimento, porém acredita-se que foi próximo de 4 de Abril de 1957, de acordo com a revista Time, mesmo outros considerando seu aniversário dia 25 de Dezembro de 1954. A infância de Guzmán foi moldada pela pobreza vivida por sua família. Seu pai era um homem violento e envolvido no tráfico.

Pela juventude, Guzmán foi expulso da casa de sua família, sendo forçado a tomar seu próprio rumo. Com pouco estudo, acabou se encontrando com o caminho que seu pai seguia, produzindo e vendendo maconha em poucas quantidades.

Na Netflix

Narcos” foi um grande sucesso na plataforma e teve seu início em 2015, contando um pouco sobre o Cartel de Medellín e Pablo Escobar. “El Chapo“, inspirado pela história de Guzmán, teve início em 2017 e retrata desde a ascensão até a – pelo menos até agora – decaída do chefão, interpretado pelo ator Marco de la O.

Ascensão

Pelo fim dos anos 70, Guzmán tinha que provar seu valor entre os negócios, então começou a trabalhar com outro jovem traficante chamado Héctor Luis Palma Salazar. Guzmán supervisionava o movimento de drogas de seu território em Sinaloa, aérea muito importante no tráfico a oeste do México onde os narcóticos seguiam o norte até as cidades costeiras até os Estados Unidos.

Aos seus 20 anos, o quieto, porém experiente Guzmán supervisionava a logística de outro chefão, Miguel Ángel Félix Gallardo, fundador do Cartel de Guadalajara. Guzmán mantinha um cargo baixo, porém quando seu chefe foi preso, torturado e assassinado pelo agente Enrique S. “Kiki” Camarena Salazar, da DEA (sigla para Drug Enforcement Administration, ou Órgão para o Controle/Combate às Drogas, em tradução livre). Logo, Guzmán rapidamente tomou as rédeas e deu uma nova cara ao mundo do tráfico mexicano.

Cartel de Sinaloa

Habitando alguns dos territórios do chefão antigo, Guzmán fundou seu próprio cartel em 1989. No começo dos anos 90, Guzmán estava no radar da DEA e do FBI, sendo considerado um dos traficantes mais poderosos e perigosos do México.

Enquanto os cartéis colombianos começavam a ter sua influência diminuída, Sinaloa estava entre as organizações que preenchiam a lacuna. Sob a direção de El Chapo, ele tomou o controle de todo tráfico de cocaína que se estendia da América do Sul para os Estados Unidos.

Parte do sucesso que provinha dos métodos extremamente criativos de Sinaloa para o tráfico que incluíam a construção de túneis que corriam sob as fronteiras entre os Estados Unidos e o México. Outro método muito usado era esconder cocaína dentro de extintores de incêndio e latas de pimenta em conserva. Podemos dizer que o que Al Capone era para bebidas alcoólicas durante sua proibição em terras norte-americanas, Guzmán representa para os narcóticos.

Além de cocaína, Sinaloa traficava heroína, maconha e metanfetaminas para os EUA e outros países. O cartel se estendeu a cinco continentes, se tornando o maior do mundo.

Guzmán atingiu tal sucesso com muito empenho. Estabeleceu gangues com nomes como Los Chachos, Los Texas, Los Lobos e Los Negros para proteger seu império. Pelos anos, os homens de Guzmán foram acusados de mais de 1000 assassinatos pelo território mexicano, com vítimas que incluíam tanto membros incompetentes como chefes rivais.

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Prisões e fugas

O uso de túneis se tornou uma das especialidades d’El Chapo.

Em 1993, autoridades da Guatemala prenderam Guzmán no México, onde foi condenado e sentenciado à prisão de segurança máxima por 20 anos. Porém, mesmo por trás das grades, El Chapo mantinha seu poder: por meio de subornos, conseguia direito à visitas íntimas e conseguia manter seus negócios em funcionamento. Sua figura já tinha efeito mítico no México, uma vez que muitos distritos o consideravam como um Robin Hood, pois ajudava muito as comunidades carentes. Sua lenda cresceu quando, em 2001, com a ajuda de guardas na prisão, fugiu dentro de um carrinho com produtos para limpeza. Mais tarde, uma investigação federal levou à prisão 71 funcionários da prisão, incluindo o diretor.

O controle de El Chapo só se enrijecia, expandindo suas fortunas cada vez mais. Em 2009, foi alegado que Sinaloa gerava 3 Bilhões de dólares por ano, o que colocou o chefão no número 701 no ranking de pessoas mais ricas do mundo, da revista Forbes. Isto também o colocou como inimigo número 1 do governo norte-americano, que ofereceu 5 milhões de dólares em recompensa por informações que levassem à sua prisão.

Uma operação mais agressiva sobre os cartéis se iniciou pelo governo do México em 2006, porém, fracassou na tentativa de pegar Guzmán que transitava livremente em seu país, inclusive se casou neste tempo, realizando a celebração com uma grande festa, contando com policiais e políticos entre os convidados. Estima-se que Guzmán se casou pelo menos três vezes e é pai de 13 filhos.

Em Fevereiro de 2014, Guzmán foi finalmente preso em um hotel no Pacífico, em uma praia na cidade de Mazatlán, no México. Em recusa à extradição do chefe aos EUA, o presidente mexicano Enrique Peña Nieto jurou que El Chapo nunca mais escaparia novamente. A ironia se deu 18 meses depois, quando Joaquín Loera orquestrou uma fuga aérea muito ousada da prisão em julho de 2015. Para isto, ele saiu por uma abertura feita no chão da seção de chuveiro de sua cela, desceu por uma escada de 30 degraus e saiu por um túnel, que conectava sua cela a uma casa, ainda em construção, a uma milha de distância da prisão.

Em 17 de Outubro de 2015, Guzmán teve ferimentos em seu rosto e perna enquanto escapava dos militares, nas montanhas do noroeste do México. Mais ou menos ao mesmo tempo, sem o conhecimento do resto do mundo, conduziu uma audaciosa entrevista secreta para o ator Sean Penn e a atriz mexicana Kate del Castillo, à qual havia sido contatada para fazer um filme sobre a vida de Chapo. Confira a entrevista abaixo, para quem consegue arriscar um portuñol e não sabe inglês, dá pra entender boa parte, saca só!

Extradição aos EUA

Em 8 de Janeiro de 2016, o presidente mexicano Enrique Peña Nieto anunciou no Twitter que as autoridades mexicanas haviam capturado novamente Guzmán após um tiroteio na manhã, na cidade de Los Mochis. Sua mensagem dizia “Missão completa, nós o pegamos”.

A prisão do chefão aconteceu um dia antes de sua entrevista com Penn ser publicada pelo site da Rolling Stone. Não está claro se a comunicação com o ator colaborou para sua captura, porém as autoridades revelam que monitoraram atividades por meios eletrônicos, o que ajudou no processo. Guzmán retornou à prisão da qual fugiu no verão anterior. Depois, foi movido para uma penitenciária próxima à fronteira com os Estados Unidos em Juarez, México. Em Outubro de 2016, Vicente Bermudez Zacarias, o juiz que cuidava do caso de Guzmán, foi assassinado perto de sua casa.

Em janeiro de 2017, o governo mexicano extraditou El Chapo para os Estados Unidos, sob acusações como tráfico, lavagem de dinheiro, dentre outras. O chefe foi julgado na Corte Federal dos EUA em Brooklyn, Nova York, e alegou inocência sobre todas as acusações. Em maio de 2018, um dos advogados de Guzmán pediu ao juiz para mover o processo para Manhattan, o qual é diretamente ligado à prisão de segurança máxima onde o réu está. O juiz acatou o pedido, uma vez que a Corte de Brooklyn exigiam maior proximidade do julgado, para assegurar sua passagem pelo Rio do Leste.

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