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O que aconteceria se a bomba nuclear mais potente fosse detonada no espaço?

Ninguém precisa ser necessariamente um especialista no assunto para chegar à conclusão de que uma explosão nuclear na Terra traz efeitos devastadores para a região nos arredores. Isso ficou evidente nos bombardeamentos atômicos das cidades de Hiroshima e Nagasaki que ocorreram durante os estágios finais da Segunda Guerra Mundial. Mas e se os humanos detonassem uma bomba nuclear no espaço? Quais seriam os efeitos que isso poderia causar?

Para responder essa pergunta, temos que primeiramente nos atentar aos acontecimentos do Starfish Prime, o teste nuclear de maior altitude da história. Isso ocorreu em 1962 quando o governo dos EUA lançou uma bomba de 1,4 megaton do Atol Johnston no Oceano Pacífico e detonou a 400 km acima do nível do mar, uma altitude equivalente à órbita da Estação Espacial Internacional. A detonação gerou uma enorme onda de energia chamada de pulso eletromagnético, ou PEM, que se expandiu por mais de mil quilômetros. Os PEMs podem causar um surto de energia suficiente para danificar equipamentos eletrônicos no processo. E este não foi diferente, já que os sistemas de navegação e de radar se apagaram e seis ou mais satélites em órbita apresentaram falhas. Vale lembrar que isso foi causado por uma bomba de “apenas” 1,4 megaton, mas o que aconteceria no espaço com a detonação da Tsar Bomba de 50 megatons, a maior bomba nuclear já detonada?

Explosão da bomba Starfish Prime vista da Terra, entre 45 e 90 segundos após a detonação.

Para começar, não há atmosfera no espaço. Então, não haveria uma nuvem em forma de cogumelo, explosão subsequente ou destruição em massa como são vistas nas detonações realizadas aqui na Terra. Em vez disso, teríamos uma onda de energia quatro vezes maior que a bomba nuclear Starfish Prime. E se você olhasse diretamente para ela nos primeiros 10 segundos, a energia da detonação poderia danificar permanentemente os seus olhos. Satélites também não estariam seguros, já que a radiação da explosão iria literalmente fritar os circuitos de centenas de instrumentos em órbita baixa, incluindo satélites de comunicação, satélites espiões militares e até mesmo telescópios científicos como o Hubble. Além disso, os astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional correriam sérios riscos de envenenamento por radiação.

No chão, a maioria das pessoas provavelmente ficaria bem, pois o ponto de detonação da bomba nuclear estaria longe o suficiente para que a radiação de alta energia alcançasse os terráqueos. Mas algumas regiões ainda poderiam sofrer com descargas semelhantes a raios a depender do impacto. Só que nem tudo seria desgraça e tristeza. A radiação também iria interagir com o oxigênio e nitrogênio na atmosfera e criar uma espetacular aurora perto do local de detonação, que poderia durar vários dias.

Independente dos efeitos, uma detonação desse tipo provavelmente nunca acontecerá. Dispositivos termonucleares como a Tsar Bomba não existem mais e mesmo se existisse uma bomba desse tipo pesaria cerca de 27.000 quilos, o que poderia inviabilizar uma operação desse tipo. Ou seja, estamos provavelmente a salvo de algo desse tipo.

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