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É verdade que assoprar o cartucho de vídeo game realmente faz o jogo funcionar?

É verdade que assoprar o cartucho de vídeo game realmente faz o jogo funcionar?

Se você é uma daquelas pessoas que adoravam jogar vídeo game nos anos 80 e 90, muito provavelmente você já conhece um truque aparentemente universal que era usado para fazer qualquer cartucho de jogo da Nintendo funcionar adequadamente. Basicamente, essa tática consistia em simplesmente retirar o cartucho do console, soprá-lo e reinseri-lo. Caso a ação não rendesse o resultado desejado, bastava repetir o processo até que a mágica finalmente acontecesse.

Sem muitas surpresas, muitas pessoas desesperadas para jogar o seu game favorito chegavam até a soprar dentro da abertura do próprio console na esperança de que isso finalmente faria o jogo funcionar. O raciocínio geral era que isso realmente funcionava e que esse macete promovia uma melhor conexão por conta da poeira que ficava acumulada nos pinos do cartucho e do console. No entanto, isso levanta uma questão interessante: afinal, assoprar o cartucho de vídeo game realmente pode ajudar em alguma coisa?

Entendendo a raiz do problema

Para início de conversa, é verdade o fato de que a raiz do problema em questão era quase sempre a má conexão entre o conector interno do console e os pinos da placa interna do cartucho do jogo. De fato, esse era um problema notório no NES (Nintendinho), que particularmente usava um conector de 72 pinos de uma tecnologia chamada “força de inserção zero”, ou simplesmente “ZIF”. O design de inserção específico do NES foi inspirado nos antigos aparelhos de videocassete, de modo que a ideia era diferenciar o NES dos principais consoles rivais, além de proporcionar às crianças um método de carregamento com o qual já estavam familiarizadas, reduzindo potencialmente as chances delas quebrarem alguma coisa, como ocasionalmente acontece com objetos que se sobressaem em determinados tipos de aparelho.

O conector ZIF do NES usava pinos feitos de níquel, dobrados ligeiramente para promover um “efeito de mola”. Desse modo, quando o cartucho era inserido, ele se curvava levemente e, em seguida, retornava ao ponto inicial quando o cartucho era removido. No entanto, existiam alguns problemas sérios com relação a este mecanismo. Para começar, como as inserções e remoções eram bastante frequentes no NES, esses pinos eram propensos a perder o seu efeito de uma forma relativamente rápida. Além disso, os pinos no conector ZIF nem eram tão flexíveis assim. Já outro problema estava relacionado ao fato de que os pinos dos cartuchos eram geralmente feitos de cobre, tornando-os já propensos a desenvolver uma boa camada de pátina (o mesmo composto químico que confere a cor verde à Estátua da Liberdade), o que consequentemente causava uma conexão ainda menos confiável ao longo do tempo.

Um problema que pode levar a outros problemas

Passando para o truque aparentemente universal de soprar nos pinos tanto dentro do console quanto nos próprios cartuchos, é importante destacar que esse ato aparentemente inofensivo poderia conferir umidade excessiva às peças de metal, aumentando significativamente o desenvolvimento de formas de corrosão, além de potencialmente resultar no acúmulo de partículas de poeira que poderiam ficar grudadas nos pinos. Isso também poderia resultar muito rapidamente no desgaste das conexões entre os pinos e as placas responsáveis em converter os sinais.

Também deve ser destacado aqui que, embora os pinos nos cartuchos dos jogos pudessem ser limpos com relativa facilidade, os pinos no conector ZIF dentro do console não poderiam ser tão facilmente restaurados para deixá-los impecáveis e brilhantes sem a necessidade de desmontar o console, fazendo com que o sopro dentro do console se tornasse uma ideia ainda pior. Embora, felizmente, nos dias atuais um conector ZIF de substituição seja relativamente barato (cerca de R$ 40) e fácil de ser instalado, você teria que recorrer à abertura do console de qualquer maneira.

A Nintendo já advertia sobre isso

Talvez não seja surpresa para ninguém o fato de que, à medida que esse método de “limpeza” de cartuchos passava a ganhar uma certa popularidade entre os usuários, a própria Nintendo resolveu declarar explicitamente em seus manuais de instruções que não era anda recomendável o ato de assoprar os conectores dos cartuchos dos seus jogos e dos seus consoles. A empresa japonesa afirmava que a umidade proveniente do sopro poderia facilmente corroer e contaminar os conectores dos pinos.

Só que, como toda essa questão de conexões ruins não foi solucionada (embora tenha melhorado bastante) com o lançamento dos consoles posteriores da empresa, como o Super Nintendo e o Nintendo 64, soprar antes da inserção do cartucho ainda era uma coisa muito comum, o que fez com que a Nintendo resolvesse colocar uma mensagem na parte de trás de cada cartucho de jogo do Nintendo 64 alertando novamente sobre os riscos de soprar nos pinos.

Mas então, assoprar os cartuchos realmente dava resultado?

Bem, até que sim, só que a menos que houvesse uma camada significativa e muito visível de poeira ou outros detritos nos pinos, assoprar sobre eles não era algo muito apropriado para se fazer, embora esse ato até ajudasse a obter uma probabilidade ligeiramente maior de conseguir um boa conexão logo nas primeiras inserções do cartucho no console. O problema com essa “técnica” é que o benefício obtido poderia ser superado significativamente pelas desvantagens de longo prazo causadas por tantos assopros nos pinos. Na verdade, o benefício real deste método não girava em torno do ato de assoprar, mas sim através da simples remoção e recolocação do cartucho no console, já que isso criava uma nova conexão e consequentemente aumentava as chances de conseguir um contato adequado com as placas.

Ou seja, é interessante parar para pensar que, embora o método de sopro era aparentemente conhecido no mundo todo, ele não era tão eficiente assim e poderia até piorar o problema a longo prazo. Curiosamente, havia também um outro truque bem menos conhecido para corrigir o tal problema e que realmente funcionava de um modo mais eficaz. Essa técnica consistia em colocar um objeto (como um outro cartucho) no console, mais precisamente entre o jogo e a base do encaixe. Isso aumentava a pressão sobre o cartucho inserido, o que poderia, se feito da maneira correta, adicionar uma pressão extra entre os pinos dos conectores, criando assim uma melhor conexão.

E você, também tinha o costume de assoprar os pinos das suas fitas antigas de vídeo game? Compartilhe o post e deixe o seu comentário!

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