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Por que apostar é tão viciante?

Por que apostar é tão viciante?

Se você já ficou parecendo um zumbi em frente a uma máquina caça-níquel ao se sentir incapaz de parar de puxar a manivela a todo momento, ainda que você já tivesse perdido uma quantia significativa de dinheiro, saiba que você não está sozinho. De fato, muitas pessoas de todas as partes do mundo concordam com o fato de que o hábito de apostar é absurdamente viciante.

No entanto, o que pouca gente sabe é que existem alguns fatores determinantes complexos relacionados ao comportamento humano que direcionam o sentimento de colocar o seu dinheiro em uma aposta tentadora. São esses fatores que promovem um certo tipo de condicionamento comportamental operante ao qual o apostador raramente consegue resistir, mesmo correndo o risco de gastar todas as suas economias até o seu último centavo!

Ao longo desse artigo, nós vamos explorar esses fatores enquanto tentamos compreender de uma vez por todas as razões que levam ao hábito incessante de apostar.

Uma questão de condicionamento e reforço operante

Você já limpou o seu quarto simplesmente para que a sua mãe parasse de incomodá-lo? Se a sua resposta é um “sim”, então você já deve ter experimentado os efeitos do condicionamento operante em primeira mão. Na prática, isso envolve as maneiras pelas quais um organismo “opera” em seu ambiente para produzir uma mudança dentro dele. De acordo com isso, os comportamentos de um determinado indivíduo são moldados por certos eventos ou estímulos que os seguem.

Por exemplo, se uma determinada resposta é seguida pela entrega de algo positivo ou pela remoção de algo negativo, ela é “reforçada”, de modo que ela provavelmente ocorrerá novamente. Assim, um “reforçador” é algo que aumenta a tendência do comportamento a ser repetido no futuro.

Quer um exemplo ainda mais fácil de ser compreendido? Pois bem, pense em todas as vezes que você chegou a comer algo desagradável na sua infância, apenas para agradar seus pais e poder comer seu sorvete favorito após o término da refeição. Ou seja, nesse caso, seus pais moldaram o seu comportamento de comer alimentos saudáveis, algo que você realmente não queria, simplesmente porque a expectativa de receber um sorvete acabou reforçando tal hábito ao longo do tempo. Brilhante, não é mesmo?

A importância das programações de reforço parcial

É importante destacar que nem todo comportamento segue esse padrão de reforço imediato ou contínuo. Na prática, sempre existem diferentes “agendas” intermitentes que podem aumentar a probabilidade de ocorrência de um determinado comportamento. Por exemplo, o “reforço parcial” é uma técnica de condicionamento operante, onde a ocorrência do estímulo que fortalece o comportamento nem sempre é imediata ou regular.

Em outras palavras, ela pode envolver um agendamento de intervalo fixo ou variável, em que o tempo decorrido determina a quantidade de reforço recebido. Além disso, o número de respostas feitas também pode determinar o reforço, ou seja, o cronograma da razão. Desse modo, pode ser que o comportamento seja reforçado após um número fixo de respostas feitas para um determinado número de respostas corretas na expectativa de “ganhar um presente”, o que é chamado de “reforço de proporção fixa”.

No entanto, a expectativa de receber algo positivo ou a remoção potencial de algo negativo pode levar um organismo a continuar dando uma resposta específica. A ‘extinção’ desse comportamento reforçado se torna algo ainda mais complicado especialmente quando um cronograma de taxa variável é empregado.

Ou seja, você acaba não reconhecendo o número de tentativas após as quais um determinado comportamento será seguido por um resultado desejável, mas como você espera esse resultado e o experimenta em instâncias aleatórias, ele continuará se comportando dessa maneira específica.

Tá, mas como isso é aplicado nas apostas?

Embora toda essa explicação possa parecer muito complexa, o fato é que tudo isso pode ser facilmente aplicável no caso do vício em apostas, pois o apostador em questão acaba se sentindo incapaz de parar. Quando uma pessoa joga em um caça-níquel, por exemplo, ela não sabe quando ganhará, quanto de dinheiro ela poderá receber e qual será o tempo que ela precisará gastar para conseguir isso. No entanto, é provável que ela continue incessavelmente a sua busca com a expectativa de vencer.

Curiosamente, quando uma pessoa aposta constantemente, é possível que ela receba retornos incrementais em pequenos em intervalos aleatórios, que atuam como pequenos “reforços” para outros tentativas. Em outras palavras, sempre existe uma grande expectativa de que o apostador possa ganhar muito “a qualquer momento” por conta de pequenos ganhos intercalados e é exatamente isso o que o leva a continuar jogando incansavelmente.

O problema disso tudo é que a quantia gasta nas apostas sempre supera (e muito) a quantia que o apostador ganha, sem falar que a inconsistência do “reforço” o faz manter uma taxa alta e constante de respostas, ou seja, a pessoa simplesmente se torna incapaz de parar, mesmo sabendo que a chance de ganhar muito dinheiro é praticamente impossível.

Cada caso é um caso

É importante deixar claro que seria incorreto dizer que isso é algo universal e que todas as pessoas que usam uma máquina caça-níquel estão esperando desesperadamente por uma grande vitória, sem levar em consideração a proporção de dinheiro gasto com a dos seus possíveis ganhos. De fato, há uma infinidade de fatores complexos que variam de acordo com a situação ou pessoa.

Crenças distorcidas sobre o jogo como uma suposta estratégia baseada em fatores técnicos, um senso de controle pessoal distorcido, uma interpretação defeituosa de uma suposta oportunidade de obter enormes ganhos e vitórias aleatórias como pequenas séries vitoriosas podem levar a um aumento no comportamento vicioso das apostas. Consequentemente, isso pode ser exacerbado por certos neurotransmissores, provocando uma certa sensação de empolgação em áreas específicas do cérebro.

Vale destacar que certos planos de terapia podem ser empregados em casos graves de vícios em apostas, nos quais a cognição defeituosa é desafiada e são desenvolvidas estratégias de enfrentamento junto. Lembre-se que apostar pode ser prazeroso e divertido em alguns casos, mas é preciso saber a hora de parar no momento certo para evitar grandes perdas financeiras!

Interessante, não é mesmo? Compartilhe o post e deixe o seu comentário!

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