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Por que muita gente acredita em superstições?

Por que muita gente acredita em superstições?

Você já bateu repetidamente em algum pedaço madeira na tentativa de afastar a má sorte? Já evitou passar por perto de um gato preto? Já pegou um trevo de quatro folhas em algum lugar na expectativa de que ele pudesse lhe trazer boa sorte? Já cruzou os dedos antes de algum sorteio com a esperança de ser o grande premiado?

Pois bem, todos nós já colocamos algumas superstições em prática algum dia, sendo que algumas delas podem até ter se transformado em uma espécie de tradição pessoal ou um hábito. Apesar da espécie humana ser bastante inteligente, com cérebros bem desenvolvidos, parece que não conseguimos parar de acreditar em superstições, de modo que colocá-las em prática pode nos ajudar a sentir-nos mais aliviadas durante algumas situações de estresse.

Mas, afinal de contas, por que tanta gente acredita em superstições? Será que a nossa mente é naturalmente programada para nos fazer acreditar que algo sem fundamento lógico pode realmente alterar o curso de nossas vidas?

Entendendo o conceito por trás das superstições

Basicamente, as superstições são crenças para as quais parece não haver explicação racional. Essas crenças geralmente giram em torno da ideia de que algo superior ou sobrenatural pode causar sorte ou infortúnio em nossas vidas. Superstições são frequentemente definidas como crenças falsas, uma vez que geralmente não há conexão causal lógica entre os eventos. Além disso, a ciência considera essas crenças não apenas erradas, mas absolutamente impossíveis.

Mesmo assim, as superstições são altamente prevalecentes em diferentes formas em todas as culturas. Elas são uma maneira natural de pensar em tudo ao nosso redor. Então, o que nos faz acreditar em superstições, mesmo elas sendo irracionais? Bem, a razão óbvia que vem à mente ao pensar por que somos supersticiosos é o medo. Muitas de nossas superstições decorrem do medo do desconhecido e podem ser vistas como nossa tentativa de lidar com o estresse associado a ele.

Bronislaw Malinowski, um dos antropólogos mais célebres do século XX, explicou isso ao dar um exemplo sobre os pescadores das Ilhas Trobriand. Ele dizia que os pescadores que enfrentavam incertezas perigosas no mar eram muito mais supersticiosos do que aqueles que pescavam em lagoas relativamente calmas. Assim, as superstições podem ser vistas como um mecanismo imaginário usado naturalmente para que sintamos que somos capazes de entender, prever e controlar parcialmente o ambiente incerto que cerca a nossa existência.

Portanto, pessoas expostas a mais incertezas, estresse e ansiedade têm uma chance maior de serem supersticiosas do que outras. No entanto, o comportamento supersticioso não se limita a um pequeno número de pessoas estressadas que experimentam circunstâncias incomuns. Até mesmo as pessoas que levam vidas comuns e confortáveis exibem comportamentos supersticiosos. Para entender por que isso ocorre, precisamos entender algumas coisas sobre a nossa mente e como ela faz julgamentos.

Compreendendo como a nossa mente faz julgamentos

Os psicólogos Daniel Kahneman e Shane Frederick sugeriram que dois sistemas cognitivos separados estão envolvidos no nosso processo de pensamento e raciocínio. Para entender isso, imagine que o Sistema 1 é o sistema rápido e intuitivo que responde rapidamente aos problemas de julgamento à medida que eles surgem. Por outro lado, o Sistema 2 é um sistema mais lento e metódico. Este último usa deliberadamente o raciocínio para monitorar problemas e corrigir as sugestões equivocadas do Sistema 1.

Frederick desenvolveu um “teste de reflexão cognitiva” para medir a capacidade do ser humano em suprimir uma resposta incorreta do Sistema 1 e chegar a uma resposta correta e mais “racional”. Uma das perguntas do teste era a seguinte: “um taco de beisebol e uma bola custam $ 1,10 no total, sendo que o taco custa $ 1 a mais que a bola. Sendo assim, quanto custa a bola?”

Por causa do Sistema 1, a resposta intuitiva que vem espontaneamente à nossa mente é dez centavos, correto? No entanto, se pensarmos um pouco mais, o nosso Sistema 2 perceberá que esta resposta está incorreta. Se a bola custasse dez centavos, o taco e a bola custariam juntos $ 1,20, em vez de $ 1,10. A resposta correta deve, portanto, ser de 5 centavos, com o bastão custando $ 1,05.

Quando respondemos incorretamente (e dizemos “dez centavos”), isso mostra que contamos apenas com as informações do Sistema 1 e não fornecemos ao Sistema 2 tempo e recursos mentais necessários para verificar a resposta. Se tivéssemos contado com o Sistema 2, certamente teríamos detectado o erro e respondido corretamente. Mas, o que isso tem a ver com acreditar em superstições?

A relação entre o teste de reflexão cognitiva de Frederick e as superstições

De acordo com o mecanismo descrito acima, se o Sistema 1 em nossa mente produzir uma intuição supersticiosa, esta resposta se traduzirá em nosso comportamento, caso o Sistema 2 não identifique o erro a tempo.

Por exemplo, antes de uma partida de futebol, um torcedor pode pensar que precisa usar uma “camisa da sorte” enquanto assiste à partida. Desse modo, se o Sistema 2 não intervir, ele usará sua camisa da sorte e ficará otimista com o jogo. No entanto, se o Sistema 2 tiver a chance de intervir (por exemplo, se ele não conseguir encontrar sua camisa) ele poderá ser forçado a reconsiderar suas crenças iniciais. Se o Sistema 2 substituir o comportamento, reconhecendo sua crença como irracional, ele usará outra camisa.

Além disso, o que é mais reconfortante nas superstições é que elas têm a capacidade de fornecer uma explicação para tudo. O Sistema 1 frequentemente detecta padrões que nem sempre existem e é capaz de formar uma explicação de causa e efeito sobre várias coisas. Na prática, isso significa que, se algo bom ou ruim ocorrer em conjunto com uma ação específica, prontamente chegaremos à conclusão de que a ação causou o resultado, o que nem sempre pode ser verdade.

Uma palavra final

Algumas pessoas realmente não acreditam em superstições, mas ainda assim se envolvem em práticas supersticiosas. No entanto, supersticioso ou não, o fato é que não podemos negar que as superstições são bastante interessantes e nem sempre são ruins. Como a maioria das outras coisas, elas podem ser saudáveis dentro dos seus limites e, às vezes, até podem servir como uma peça encantadora de tradições culturais.

No entanto, se você estiver constantemente preocupado com os resultados de seu comportamento supersticioso, talvez seja sensato quebrar esses hábitos irracionais o mais rápido possível!

Você se considera uma pessoa supersticiosa? Compartilhe o post e deixe o seu comentário!

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