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O misterioso assassinato de Jennifer Beard

O misterioso assassinato de Jennifer Beard

Em 3 de janeiro de 1970, um dia quente de verão no sul de Westland, Nova Zelândia, uma família de cinco pessoas atravessava a ponte do rio Haast. Nesse momento, a filha de 8 anos disse aos pais que precisava ir ao banheiro, então o carro parou no acostamento enquanto a menina se dirigiu para alguns arbustos embaixo da ponte. Ao voltar para o veículo, ela disse que tinha visto uma mulher deitada perto do riacho e que ela não estava usando roupa alguma, chegando a supor que a mulher estaria “dormindo”.

Talvez a menina tivesse um histórico de contar histórias fantasiosas, ou os pais presumissem que havia um casal apaixonado desfrutando de um momento privado debaixo da ponte, mas o fato é que eles não investigaram o local e foram embora. No entanto, se eles tivessem acreditado na menina, os desdobramentos da investigação de um dos mais notórios assassinatos não solucionados da Nova Zelândia poderiam ter sido muito diferentes.

O misterioso desaparecimento de Jennifer Beard em um local remoto

A mulher deitada embaixo da ponte não estava dormindo, mas morta. O nome dela era Jennifer Beard e foi somente em 9 de janeiro que ela passou a ser considerada desaparecida pelo seu noivo, Reg Williams, com quem ela planejava fazer caminhadas no deslumbrante cenário montanhoso da região. Beard era uma professora de 25 anos da Tasmânia que gostava de fazer caminhadas. Jennifer e Reg haviam concordado em passar férias, mas inicialmente viajando separadamente para se encontrar depois que Reg resolvesse algumas pendências familiares.

Atraente e de natureza doce, Jennifer Beard era, de todas as formas, uma garota sensível e de vida tranquila, de modo que era algo completamente fora do comum o fato de ela sumir sem deixar rastros. O policial encarregado da busca por “Jenny” era o inspetor Emmett T. Mitten, que imediatamente instigou uma busca abrangente por Jennifer na região de Glaciar Fox, o local onde ela foi vista pela última vez em 31 de dezembro na companhia de um homem de meia-idade em um carro Vauxhall azul-esverdeado.

Posteriormente, os membros de uma família informaram à polícia que haviam ajudado um homem a empurrar seu carro com problemas perto da ponte do rio Haast às 13h20 de 31 de dezembro de 1969. O homem e o carro em questão se encaixavam na descrição da última pessoa vista com Jenny Beard. Com base nessas informações, em 19 de janeiro, Mitten enviou alguns outros policiais até a ponte.

Aproximando-se sob a extensão norte da ponte por apenas alguns minutos, os policiais se depararam com o corpo parcialmente vestido de Jennifer Beard escondido por arbustos. Ao inspecionar a cena, verificou-se que a umidade da área, bem como a provável subida e descida do rio Haast, haviam decomposto severamente o corpo de Jennifer, o que tornava a investigação muito mais difícil para a polícia.

O início das investigações

As roupas da parte superior do corpo haviam sido rasgadas e estavam em volta do pescoço da vítima, enquanto suas calças estavam cuidadosamente abaixadas até o joelho. Com isso, a polícia deduziu que Jennifer poderia estar fazendo suas necessidades debaixo da ponte, quando foi interrompida por alguém que a agredira sexualmente. Pela situação, a polícia presumiu que ela havia morrido durante o ataque e foi deixada no local pelo agressor. A mochila e a câmera com a qual ela foi vista pela última vez não foram encontradas perto de seu corpo.

Por causa do tempo decorrido entre sua morte e a recuperação de seu corpo, nenhuma causa da morte pôde ser identificada com precisão. O osso hioide, um osso “em forma de u” na base da garganta que poderia ter sido usado para a investigação de um possível caso de estrangulamento, nunca foi encontrado. Por isso, nunca foi descoberto se algum animal o levou embora ou se a própria polícia o perdeu durante a busca. Mas, independente disso, a polícia acreditava que muito provavelmente a vítima havia sido estrangulada.

A polícia concentrou muito tempo e energia na busca pelo carro em que Jennifer Beard foi vista pela última vez, acreditando que, se encontrassem o carro, encontrariam o motorista e possível agressor. No entanto, cerca de 33.000 Vauxhalls estavam na Nova Zelândia naquele momento e a polícia teve que verificar manualmente cada um deles nos registros do governo.

Depois de deixar a ponte do rio Haast por volta das 13h30 do dia 31 de dezembro, o carro em questão provavelmente havia seguido para o sul da área. Então, o mesmo carro parou em uma oficina em Glaciar Fox para checar um problema por volta das 15h. O mecânico disse que o motorista parecia calmo, mas estava com pressa. No veículo, havia uma quantidade de equipamentos de camping, mas como o mecânico estava ocupado, ele não deu atenção especial nos detalhes.

O principal suspeito

No dia 22 de janeiro, um homem foi interrogado na delegacia de Timaru por cerca de seis horas, enquanto seu carro era inspecionado por um analista do governo. No entanto, a polícia enfatizou na época que não havia nada significativo nesse homem em particular e que nenhuma prisão havia sido feita pelo assassinato de Jennifer Beard. Após o ocorrido, levou mais um ano para que os detetives revisassem novamente suas evidências e decidissem que não havia provas suficientes para acusar qualquer pessoa de assassinato.

Muitos anos depois, em 1988, o homem que havia sido o principal suspeito do assassinato resolveu falar com um jornal local, o Timaru Herald. Gordon Bray, então com 70 anos, disse publicamente que realmente havia visitado a região onde ocorreu o assassinato durante o período da morte de Jenny Beard, dizendo também que se encaixava na descrição do homem procurado e que tinha um carro semelhante. No entanto, ele afirmava que era inocente, estando apenas “no lugar errado e na hora errada”.

Após a entrevista de Gordon Bray para o o Timaru Herald, alguns oficiais da polícia de Timaru levantaram a hipótese de retomar as investigações, pois acharam muito estranho o fato de Gordon querer falar no assunto anos depois, o que em tese poderia representar algum tipo de “remorso”. No entanto, a ausência de evidências e pistas sobre o que realmente aconteceu levaram ao fim definitivo das investigações. Com isso, a identidade do assassino de Jennifer Beard nunca chegou a ser confirmada.

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