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Como o nosso cérebro se comporta no Tinder?

Como o nosso cérebro se comporta no Tinder?

O Tinder dispensa apresentações, mas como sempre estamos sujeitos a encontrar alguém mais por fora que braço de caminhoneiro na boleia, aqui vai uma descrição mais certeira e simples: Tinder é como se sua avó fosse um aplicativo de celular, mas neste caso ela só lhe apresenta quem você realmente quer se envolver/ ficar/ namorar/ casar, ter 12 filhos, um cachorro, um gato e uma motoca na garagem (ou pelo menos em tese).

De qualquer forma, aplicativos como Tinder, por bem ou mal, caíram feito luva para nossos tempos modernos e nossa cultura, cada vez mais inserida no digital. A interação entre ser humano e tecnologia tem se aproximado cada vez mais e o aplicativo acabou encurtando alguns caminhos, tornando a relação entre pretendentes mais rápida sem a necessidade da presença física dos dois em um mesmo local.

O aplicativo é responsável por, aproximadamente, 8 bilhões de conexões em 196 países no mundo, sendo o mais popular do gênero. Os usuários deslizam para esquerda e direita por volta de 97.200 vezes e um usuário médio passa por volta de 11 minutos por dia procurando por potenciais combinações. É comum ouvir pessoas lamentar o tipo de comportamento supostamente inspirado pelo Tinder sobre a “morte” do romance e das relações pessoais genuínas, uma vez que as pessoas são expostas como em um cardápio de restaurante.

O ser humano evoluiu por volta de dois milhões de anos para desenvolver o sistema cerebral mais complexo na existência terrena, mas o quão evoluídas as pessoas são para lidarem com tal critério de escolha de encontros em aplicativos como este que usam somente fotos e um curto texto de apresentação?

“Como eu combinei com sua mãe” – uma brincadeira com o nome da série “How I met your mother” (“Como encontrei sua mãe”), usando o termo “Match” (“Combinar”), popularizado pelo aplicativo.

Não há nada de muito novo no quesito de se olhar para fotos para achar um/a parceiro/a em potencial, segundo a professora clínica Lucy Brown, da Einstein College of Medicine em Nova Yor que também já colaborou em várias pesquisas sobre o amor romântico do ponto de vista da neurobiologia.

Henry VIII viu Anne of Cleves por meio de um retrato desta para saber se “rolava um match” com ela. A resposta foi afirmativa e ambos se casaram. Porém, como recomenda Brown, esta não é uma maneira muito efetiva de se escolher uma companhia, e vale lembrar que o casamento de Henry com Anne não durou mais que um ano.

Henry VIII apertou “<3” na hora ao ver este retrato. A pintura é de Hans Holbein.

Humanos foram ensinados a julgar as pessoas depois de vê-las “em movimento”, Lucy Brown continua muito mais que uma mistura de imagens estáticas e mensagens em uma tela. “É muito perigoso – não dá para se dizer muito apenas vendo uma fotografia. O cérebro humano é ajustado para tomar em detalhes o modo como alguém se move, ou sorri.” Logo, faz sentido encontrar um match pessoalmente, assim que possível.

“Levamos mais ou menos três anos de convivência com alguém para realmente podermos falar que a conhecemos”, a professora prossegue. Aplicativos como Tinder, no entanto, são melhores em facilitar a construção de relacionamentos mais casuais, descompromissados, sob este ponto de vista. Este é um dos medos mais comumente percebidos no quesito do impacto social de aplicativos de encontros, uma vez que a promessa de uma busca eterna por opções encoraja pessoas a manterem múltiplos relacionamentos casuais em detrimento a relacionamentos mais duradouros.

Há uma evidência de que acontecem dramáticas mudanças químicas no cérebro durante os primeiros dias de um relacionamento. Um estudo conduzido pela University de Pisa em 1999 descobriu que os níveis de serotonina no cérebro em pessoas que passam pela fase inicial de amor romântico eram comparáveis aos níveis de pessoas com Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). Em 2007, cientistas na University of Basel descobriram que este estágio também é comparável à Hypomania, um estado de exaltação enérgica e menos inibição, além de diminuição da necessidade de dormir.

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