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Como é escolhido o nome de um vírus recém-descoberto?

O termo COVID-19, nome da doença pandêmica que tem afetado o mundo em 2020, levou um certo tempo para ser definido. De fato, ainda que tenhamos identificado o primeiro caso positivo em dezembro de 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) só anunciou o nome oficial do vírus causador da patologia, SARS-CoV-2, em fevereiro de 2020. Mas, afinal de contas, como é escolhido o nome de um vírus recém-descoberto como esse?

Embora o nome da doença causada pelo SARS-CoV-2 possa parecer trivial (COVID-19: COronoVIrus Disease 2019), é preciso levar em conta muitos fatores ao nomear um vírus e a doença causada por ele. Nomes mal escolhidos para designar patógenos e doenças já levaram a intrigas diplomáticas, estigmatização das etnias afetadas, negligência em relação a animais contagiosos, restrições injustas ao comércio, entre outras coisas. Além disso, a seleção de um nome apropriado é crucial para evitar o pânico.

A OMS, portanto, instituiu um conjunto de prós e contras ao nomear um vírus recém-descoberto ou uma nova doença. Ao longo desse artigo, nós vamos explorar o que é permitido e o que deve ser evitado na hora de nomear uma doença ou um vírus anteriormente desconhecido.

A importância de evitar o uso de associações geográficas

As diretrizes para nomear vírus e doenças desconhecidos envolvem mais proibições do que recomendações, e com razão. A OMS geralmente recomenda evitar o uso de quaisquer associações geográficas (como nomes de cidades, países, regiões e até continentes), nomes de pessoas, animais ou alimentos afetados, qualquer alusão a uma comunidade, cultura, ocupação ou indústria em particular, ou qualquer termo capaz de assustar as massas.

Nomear uma doença com base em sua região de origem tem sido uma prática comum há séculos. A síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS), a doença do vírus Ebola e a infame gripe espanhola fazem parte de uma lista extensa de doenças associadas a localizações geográficas. Antes de ser formalmente chamada de COVID-19, a doença respiratória em andamento era frequentemente referida erroneamente como “vírus chinês” por pessoas comuns e até mesmo por algumas figuras políticas notáveis.

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O grande problema é que isso tende a render casos de xenofobia e discriminação cultural ao local afetado. Até mesmo as pessoas, ainda que remotamente relacionadas à região afetada, podem ser subitamente intimidadas por sua herança cultural ou ter acesso negado a lugares e mercadorias. Em países com população bastante diversificada, como os EUA, isso pode degradar ainda mais a condição e o tratamento das minorias, como nos casos de asiáticos que sofreram discriminação após as epidemias de SARS e MERS.

Além disso, existe o problema de que uma nomeação geográfica pode nem se referir ao local exato de origem da doença. Por exemplo, embora a pandemia de gripe de 1918 seja conhecida como gripe espanhola, o local exato de sua origem ainda é incerto. A doença recebeu esse nome porque a Espanha era o único país que relatava com precisão o estado de saúde de seus cidadãos em plena Primeira Guerra Mundial. Naturalmente, a doença começou a ser ligada à Espanha e acabou sendo chamada de gripe espanhola em todo o mundo.

Outras coisas que devem ser evitadas ao nomear um vírus recém-descoberto

Além das localizações geográficas, alguns vírus e doenças também já foram associados a uma comunidade ou animal em particular, o que acabou levando a uma variedade de consequências.

Antes de ser denominada síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS), essa doença sexualmente transmissível era comumente chamada de imunodeficiência relacionada aos gays (GRID). Embora a doença não estivesse confinada apenas a homens gays, os primeiros casos foram observados em relações homossexuais. O problema é que o uso do termo GRID nos primeiros dias do surto de HIV estigmatizou ainda mais essa comunidade historicamente marginalizada. O termo também dificultou a aplicação de medidas preventivas e de controle.

Da mesma forma, o surto de gripe suína de 2009 levou à negligência generalizada com relação aos porcos. O vírus então desconhecido (H1N1) se assemelhava a uma cepa de influenza conhecida por infectar porcos e, portanto, levou à associação. Alguns governos ordenaram o abate nacional de animais de fazenda inocentes, sem falar que pessoas começaram a ignorar a carne de porco e outros produtos relacionados, o que causou grandes perdas para a indústria de criação de porcos.

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Por último, vale destacar que a OMS também bloqueia o uso de termos apelativos como “fatal”, “mortal” ou “desconhecido”, pois eles podem incitar o medo e causar pânico global.

O que é permitido ao nomear uma doença ou um vírus recém-descoberto

Na maioria dos casos, a OMS recomenda o uso de termos genéricos, mas autoexplicativos, até que o Comitê Internacional de Taxonomia de Vírus (ICTV) e a Classificação Internacional de Doenças (CID) estabeleça um nome definitivo. Ainda assim, é de responsabilidade da parte descobridora (cientistas ou autoridades nacionais) sugerir alguns nomes adequados para vírus e doença recém-descobertos. É de extrema importância observar que o nome deve ser científico e não levar a nenhum problema sociopolítico.

Para facilitar, a OMS forneceu diretrizes sobre como definir um nome que soe científico e não ofensivo: primeiro, o nome deve incluir um termo genérico para descrever as características básicas da doença. Esse termo pode se referir a quaisquer sintomas clínicos ou processos fisiológicos afetados. SARS e MERS, por exemplo, incluem o termo “respiratório”, pois a falta de ar é um sintoma primário em cada uma. Além disso, referências anatômicas ou patológicas (cardíaca, gastrointestinal etc.) podem ser feitas.

Semelhante às doenças, os nomes de vírus devem ser mantidos simples, porém científicos. Isso pode ser alcançado ao levar em conta dados factuais, como a morfologia do vírus, o organismo hospedeiro, sua configuração e a doença que causa. Por exemplo, o coronavírus recebeu esse nome por conta de sua forma de coroa (“corona” em latim). A nomeação de um vírus com base em sua estrutura genética ajuda ainda mais no desenvolvimento de vacinas e testes de diagnóstico.

É sempre importante deixar claro que usar vários termos pode tornar o nome de um vírus ou doença irritantemente longo; portanto, siglas apropriadas também podem ser usadas. O vírus da COVID-19 é um bom exemplo disso. Seu nome científico (coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2) é muito longo, daí a necessidade de abreviá-lo para SARS-CoV-2.

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