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Você sabe qual foi o pior caso de hiperinflação da história?

Você sabe qual foi o pior caso de hiperinflação da história?

A atual situação econômica na Venezuela é desoladora. A taxa de inflação anual está ficando fora do controle e milhões de venezuelanos estão sofrendo para comprar itens básicos, como alimentos e produtos de higiene. A última vez em que uma hiperinflação de maneira tão avassaladora foi registrada ocorreu no Zimbábue entre os anos 1990 e 2000, quando o governo chegou a emitir notas de 100 trilhões de dólares zimbabuanos, que no final das contas tinha o valor real de 30 dólares americanos. Mas a hiperinflação do Zimbábue foi apenas a segunda pior da história, pois, acredite se quiser, um país já esteve em uma situação muito mais deprimente.

O pior caso de hiperinflação na história ocorreu na Hungria entre 1945 e 1946, quando os preços aumentavam a uma incrível taxa de quase 200% ao dia! Para se ter uma ideia, seriam necessários 16 zeros só para representar a inflação mensal da época.

A Hungria obteve sua primeira moeda após o desmembramento do Império Austro-Húngaro no final da Primeira Guerra Mundial. Ela se chamava “coroa húngara”, mas por ser se tratar de um governo economicamente quebrado e sem forças para promover a produção e o consumo, o valor da moeda rapidamente se descontrolou. Para deter a inflação, o governo decidiu se desfazer da coroa e introduziu o “pengo” em 1927. O pengo estava atrelado ao preço padrão do ouro e no começo até conseguiu se manter como uma das moedas mais estáveis ​​da Europa. No entanto, a Segunda Guerra Mundial devastou a economia do país de tal forma que após o conflito a moeda foi submetida a um bizarro processo de hiperinflação.

Uma cédula de 100 milhões de pengos.

O pengo não conseguiu se recuperar, levando o governo a ter a trágica ideia de imprimir uma quantidade absurda de cédulas e distribuí-las entre a população, pois eles acreditavam que poderiam pelo menos garantir que as pessoas tivessem dinheiro suficiente em suas mãos. No entanto, a grande quantidade de cédulas em circulação fez o dinheiro perder ainda mais o seu valor, já que o comércio precisava subir os preços para compensar a demanda e a oferta de produtos.

Durante o pico da hiperinflação, os preços chegavam a dobrar a cada 15 horas. O pengo continuou perdendo valor a uma taxa incrível, até chegar ao ponto de 460 trilhões de pengos corresponderem ao mesmo valor de 1 dólar americano em junho de 1946. Era tanto dinheiro sendo impresso que em determinados momentos o governo ficou até sem papel de boa qualidade para imprimir as cédulas.

Finalmente, em agosto de 1946, o governo abandonou o pengo e decidiu começar do zero. Uma nova moeda foi introduzida (o florim húngaro) e felizmente a situação econômica do país se estabilizou. Embora a Hungria tenha vivido novamente uma crise econômica nos anos 1990, essa última não chegou nem perto do caos de 1946, conhecido até hoje como o maior caso de hiperinflação da história.

Que situação caótica, não é mesmo? Deixe o seu comentário!

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